nada de errado na morte e sim na vida não vivida

Quando eu era adolescente (segundo o IBGE), eu andava de patins, roller, in-line, não sei por qual nome você conhece.

Essa diversão durou uns dois ou três anos, mas foi muito intensa, fiz muitas amizades, resumindo… coisa de muleque que aproveitou a vida.

Esses dias (ano passado pra ser mais exato, é que dizer esses dias é mais legal), eu estava no shopping e na onda do long board os rollers voltaram para as vitrines.

Parei, olhei, olhei, olhei e já estava entrando pra comprar, mas aí eu pensei… será que comprar um patins vai me fazer voltar no tempo? Comprar vai me trazer toda aquela felicidade novamente?

O que me fazia feliz não era o objeto, ele era apenas um meio, um meio para eu pertencer e ser aceito em um grupo, um meio pra eu me desafiar, um meio pra eu fazer e manter amizades.

Na caixa do patins estava escrito que só vinha o bem material mesmo… mas o que me deu saudades foi todo o fator humano e emocional vivido.

Aos 32 anos de idade, todo saudosista, me lembrei dos 16. Mas eu não posso reviver os 16, senão eu chegarei nos 40 e me perguntarei o que fiz aos 32 e responderei: o mesmo que aos 16.

Agora aos 32, preciso viver os 32, pra quando eu chegar nos 40, me lembrar dos 16 e dos 32.

Quando alguém disser: “na minha época…” ofereça um abraço de consolo, essa pessoa está triste e esquecendo de viver o dia de hoje, que é o único dia possível de se viver.

Fiquei realmente feliz e satisfeito com aquele meu sorriso esboçado meio suspirado que não sai som.

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